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O ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan fez um apelo neste sábado por mais investimentos aos governos para evitar a crise alimentar.
Para Annan, os atuais distúrbios em países como o Haiti se estenderão ainda por certo tempo, devido à alta dos preços do arroz, do trigo e do milho, por exemplo.
A demanda por produtos básicos para a produção de biocombustíveis e o preço do petróleo são os dois fatores principais que levaram à disparada dos preços, explicou Annan.
“Os governos devem se concentrar na agricultura e implantar políticas que apóiem o desenvolvimento rural. A agricultura também cria muitos postos de trabalho, e deveríamos ajudar os criadores de animais a aumentar sua produção”, disse Annan, que atualmente dirige a fundação Aliança para a Revolução Verde na África (AGRA).
“A curto e médio prazo, os problemas continuarão e os governos devem estar preparados e se organizar para ajudar, porque a pressão sobre os pobres vai crescer”, afirmou.
Fonte: Yahoo!
Está cada vez mais difícil garantir o rótulo de fonte de energia ambientalmente “verde” aos biocombustíveis, por conta dos crescentes questionamentos sobre os possíveis efeitos danosos de sua produção, segundo afirma artigo publicado nesta segunda-feira pelo diário espanhol El País.
“A culpa é do crescente número de especialistas, investigadores e ecologistas que questionam a sua capacidade para reduzir as emissões de CO² e falam dos efeitos do desmatamento e do aumento das desigualdades que podem causar”, observa o jornal.
A reportagem comenta que, pela segunda vez no ano, a Comissão Européia teve que sair à defesa de sua norma que prevê um gradual aumento no uso de biocombustíveis para o transporte - chegando a 5% em 2010 e 10% em 2020 -, diante de críticas da Grã-Bretanha.
“Na última vez, Robert Watson, assessor de meio ambiente do primeiro-ministro Gordon Brown, recomendou ao governo britânico que estabelecesse uma moratória na aplicação das cotas estabelecidas pela União Européia e questionou seriamente a contribuição dos biocombustíveis para a redução das emissões de CO²”, diz o texto.
“Graves impactos”
Segundo o jornal, “outros especialistas em questões ambientais, numerosos centros de investigação e universidades e a maior parte dos grupos ecologistas e de defesa dos direitos humanos emitem diariamente declarações e documentos nos quais afirmam que os biocombustíveis não contribuem para lutar contra a mudança climática, que provocam graves impactos ambientais em regiões de alto valor ecológico (Indonésia e América do Sul, principalmente), que alteram o preço dos alimentos e que estabelecem um modelo agrícola de exploração do trabalho e alta dependência de grandes multinacionais”.
A reportagem relata que um fórum de discussões da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento da Europa) reconheceu que “o rápido crescimento no uso dos biocombustíveis de primeira geração repercutiu no preço dos alimentos e é um tema de preocupação em vários países”, mas também “falava de seus benefícios”.
Segundo o jornal, “trata-se de uma constante troca de acusações e apoios que mantêm o setor em pé-de-guerra, especialmente na Europa”.
O El País conclui dizendo que, apesar de tudo, as pesquisas para melhorar os biocombustíveis “seguem adiante e avançam”.

O jornal britânico Financial Times adverte em editorial publicado nesta terça-feira (27/2) que o progresso alcançado entre 1990 e 2005 no combate à fome, principalmente entre as crianças, está ameaçado pela alta do preço dos alimentos, impulsionada, entre outros fatores, pelos subsídios pagos à produção de biocombustível.
Segundo o FT, o preço de commodities como trigo, soja e milho duplicaram, ou até triplicaram nos últimos anos. “O resultado é pobreza - para milhões, a duplicação do preço significa escassez - e o aumento da desnutrição.”
“Enquanto os recentes aumentos de preços dificilmente serão permanentes, os produtores deveriam parar de gastar alimentos subsidiando biocombustíveis e dar ao Fundo para Alimentação da ONU (FAO) os recursos que ele necessita para distribuir calorias para aqueles que não podem lidar com o problema sozinhos.”
O FT afirma que muitos dos fatores que provocaram a alta dos alimentos são temporários, “mas a maior mudança estrutural são os biocombustíveis. No espaço de alguns anos, os Estados Unidos destinaram cerca de 40 mil toneladas de milho para a produção de bioetanol - cerca de 4% da produção global de grãos. Este rápido crescimento é em grande parte resultado dos subsídios - que têm que ser cortados”.
“Os benefícios ambientais do bioetanol de milho são ambíguos, na melhor das hipóteses, e não deveriam ser favorecidos em detrimento da plantação de milho para fins alimentares.”
‘The Guardian’ - O jornal britânico The Guardian também comenta o aumento dos preços em editorial nesta terça-feira, afirmando que alta do trigo anunciada na segunda-feira normalmente passaria despercebida, mas “ela é apenas o mais recente sinal de que a longa era de comida barata finalmente acabou. O fim chega ao final de um mês em que as implicações começam a ser sentidas em todo o mundo”.
O Guardian comenta o pedido da FAO, que, segundo o jornal, precisa urgentemente arrecadar novos fundos para continuar distribuindo ajuda.
“Os efeitos da alta no preço de alimentos são ainda mais sérios porque é algo com que o mundo se desacostumou. Por um quarto de século, depois de meados dos anos 70, novas tecnologias e o livre comércio se combinaram para tornar os alimentos quase que continuamente mais baratos.”
O jornal afirma que o preço do trigo caiu mais de 80% entre 1973 e 2000, levando-se em conta a inflação, e agora está mais do que o dobro do preço de alguns anos atrás.
“Se a tendência continuar, o pão e manteiga da política mundial poderá virar pão e manteiga de verdade, mais uma vez. É nos países pobres, no entanto, que os efeitos são mais graves: o custo da comida, pode ser frequentemente contado em vidas humanas.”
O editorial também afirma que os subsídios aos biocombustíveis, “particularmente nos Estados Unidos”, estão causando distorções no mercado global de alimentos.
Fonte: Estadão Online

O governo da Nova Zelândia anunciou nesta terça-feira (12), medidas no setor energético para conseguir seu objetivo de reduzir drasticamente a emissão de gases que causam o efeito estufa, informou o jornal local The New Zealand Herald.
As duas principais medidas são a diminuição das emissões de gases por parte do transporte comercial e uma legislação para que em 2012 os biocombustíveis respondam por pelo menos 3,4% dos combustíveis utilizados no país.
A primeira-ministra neozelandesa, Helen Clark, declarou no Parlamento que seu país “tem de se transformar em parte da solução para o maior problema do mundo e não ser um dos últimos a responder”.
Helen se referiu à campanha que ocorre na Europa e na qual os consumidores adquirem produtos locais para evitar a emissão de gases provocada pelo transporte de mercadorias procedentes de pontos distantes.
A Nova Zelândia estipulou como objetivo eliminar totalmente em 2040 a emissão de gases do efeito estufa no setor do transporte, e na indústria elétrica em 2025.
Fonte: Estadão Online

“Não há biocombustível sustentável, a não ser óleo de cozinha usado”, afirma o colunista George Monbiot (foto) em artigo publicado no diário britânico The Guardian, nesta terça-feira (12/2/08).
Segundo o colunista, os governos, que “não dão ouvidos nem aos geólogos, nem aos ambientalistas”, dificilmente poderão “ignorar os capitalistas”, citando um relatório publicado pelo Citibank na semana passada, que afirma que será difícil aumentar a produção de petróleo, particularmente a partir de 2012.
O relatório, segundo Monbiot, diz que apesar das novas perfurações já planejadas para os próximos anos, “existe o medo de que a maior parte desta produção não será suficiente para contrabalançar os altos níveis de declínio da produção atual”.
Segundo Monbiot, o governo britânico não parece ter nenhum “plano B” para lidar com a falta de combustível, ao contrário da Comissão Européia, que teria um plano “desastroso”.
“A Comissão reconhece que ‘a dependência do petróleo do setor de transporte… é um dos problemas mais sérios de insegurança nos suprimentos de energia enfrentados pela União Européia’. Em parte para diversificar os suprimentos de combustível, em parte para cortar as emissões dos gases causadores de efeito estufa, ela ordenou os Estados membros a garantir que até 2020 10% do petróleo queimado por nossos carros terão que ser substituídos por biocombustíveis”, diz Monbiot.
Para o colunista, isso não vai resolver a falta de petróleo e poderá criar outros problemas ainda maiores na área ambiental.
Monbiot diz que a própria Comissão Européia já impôs regras afirmando que eles não deverão ser produzidos a partir da destruição de florestas ou outros habitats, já que isso poderia aumentar ainda mais a emissão de gás carbônico.
A Comissão também exige que as culturas de matérias-primas para os biocombustíveis não destruam a biodiversidade de ecossistemas.
“Parece bom, mas há três problemas. Se os biocombustíveis não puderem ser produzidos em habitats virgens, eles precisam ser confinados às terras cultivadas já existentes, o que significa que toda vez que enchermos o tanque do carro, estaremos tirando comida da boca de outras pessoas.
“Isso, por sua vez, aumenta o preço dos alimentos, o que encoraja os fazendeiros a destruir habitats virgens para plantar.”
Segundo o autor, o terceiro problema é o “custo de carbono” - extremamente alto - da produção de biocombustíveis, descrito recentemente em dois novos relatórios.
“Mesmo a fonte mais produtiva (de biocombustível), a cana-de-açúcar plantada nas savanas do centro do Brasil, cria um débito de carbono de 17 anos. Como os maiores cortes nas emissões de gás carbônico têm que ser feitos agora, o efeito líquido desta cultura é exacerbar as mudanças climáticas.”
Para Monbiot, a única maneira de evitar esses problemas é usando restos de cultivos como matéria-prima para os biocombustíveis, mas mesmo isso também não seria uma solução, já que esses restos são essenciais na manutenção da terra agrícola.
“Tirando a gordura usada para fritar batatas, não existe algo como um biocombustível sustentável”, afirma o colunista.
“Todas essas soluções apresentadas foram criadas para evitar uma mais simples: reduzir o consumo de combustível para transporte. Mas essa exige o uso de uma commodity diferente. Os suprimentos globais de coragem política parecem, infelizmente, ter alcançado seu ápice há algum tempo.”
Fonte: Estadão Online

Os biocombustíveis não são sempre melhores que os combustíveis fósseis em termos ambientais. A tese, defendida por uma dupla de pesquisadores do Instituto Smithsonian, na sua base no Panamá, inclui inclusive os produtos feitos no Brasil, seja a partir de cana-de-açúcar ou de soja.
Fonte: Folha de São Paulo | Clique aqui para ler a matéria.
O site Ambiente Brasil reuniu vários artigos publicados em torno da temática sobre a sustentabilidade. O debate foi marcado por muitas polêmicas, como não poderia deixar de ser, mas há o marco positivo nisso tudo, que é o de se aumentar as discussões em torno de um tema que deve ser a pauta política principal de todos os países.
Clique aqui e leia o que foi destaque em 2007 sobre o assunto.

Fonte: Estadão Online
Tomadores de decisão com influência sobre a questão das mudanças climáticas acreditam pouco nos biocombustíveis como uma tecnologia capaz de reduzir as emissões de gases que provocam o aquecimento global, segundo uma pesquisa feita pela organização internacional IUCN, ou União Mundial pela Conservação.
A pesquisa, divulgada nesta terça-feira (11) em Bali, na Indonésia, durante a reunião da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC), indica que esses tomadores de decisão confiam mais nas bicicletas do que nos biocombustíveis como forma de combater o aquecimento global.
A IUCN ouviu mil integrantes de governos, de organizações não governamentais e do setor industrial de 105 países.

Fonte: JB Online
A Subcomissão Permanente dos Biocombustíveis realizou uma audiência pública no Senado, nesta quinta-feira, dia 18, a fim de debater políticas públicas para o etanol. Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica - União da Agroindústria Canavieira de São Paulo, afirmou que o governo precisa de uma “definição clara da participação do álcool (em termos de percentagem) na matriz energética brasileira, para que não haja um desastre nesse mercado”.
Para ele, a definição tem de ser dada e não será o mercado quem fará isso. Rodrigues também disse que, atualmente, a “velocidade da oferta de etanol é maior do que a projeção da demanda, o que poderá levar a um ciclo não virtuoso de queda de remuneração e desaceleração de investimentos”.
“Vivemos uma euforia de expansão sem que haja um mercado estruturado”, frisou ele.
Durante a audiência, os senadores Marisa Serrano (PSDB) e Valter Pereira (PMDB), ambos de Mato Grosso do Sul, estado que vem expandindo sua produção alcooleira, também manifestaram preocupação com um eventual excesso na oferta de etanol.
A solução para esse problema, de acordo com Rodrigues, está na ampliação do mercado e na otimização da infra-estrutura - o que se viabilizaria por meio da participação do governo federal.
