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O leitor recém-chegado ao universo dos livros de divulgação científica deve achar que estamos de volta à era de Galileu e Giordano Bruno. Afinal, uma fieira um tanto repetitiva de obras recentes, como “Quebrando o encanto”, de Daniel Dennett, e “Deus, um delírio”, de Richard Dawkins, andou reeditando o velho conflito entre ciência e religião. “A Criação - Como salvar a vida na Terra”, que acaba de chegar ao Brasil, é uma lufada de ar fresco justamente por se contrapor a essa tendência. Para usar as palavras da liturgia católica, o biólogo Edward O. Wilson se imbuiu do espírito “que arranca o que divide”. A ciência e a fé precisam urgentemente de uma trégua, diz ele — e o preço do fracasso nessas negociações de paz pode ser a própria vida na Terra.
Dependendo de como se vê a questão, o veterano Wilson pode ser a pior ou a melhor pessoa para negociar esse armistício. O pesquisador da Universidade Harvard, um dos maiores especialistas do mundo em biodiversidade, cresceu no sul dos Estados Unidos e foi membro da Igreja Batista, uma das mais fervorosas denominações evangélicas do mundo. Mais tarde, porém, deixou a religião de lado. Em um livro anterior, “Consiliência”, Wilson defendeu a unificação do conhecimento humano sob a égide da ciência — e com a religião, considerada obsoleta, de fora.
No entanto, ainda que tenha deixado o rebanho, uma coisa Wilson nunca perdeu: a sensibilidade poética trazida pela leitura da Bíblia e pelo cristianismo evangélico de sua juventude. Também nunca deixou de prestar atenção no crescimento da religião fundamentalista, dentro e fora dos EUA. E escolheu usar sua familiaridade com o universo mental dos cristãos conservadores para convidá-los a assumir a defesa da biodiversidade da Terra — uma responsabilidade moral que ecoa os primeiros e mais sagrados mandamentos divinos transmitidos no Gênesis.
O momento para isso não podia ser mais crítico. Uma confluência impressionante de dados científicos sugere que a humanidade está comandando a pior extinção em massa desde o meteoro que mandou os dinossauros para uma melhor há 65 milhões de anos. A natureza está sob sítio. E o medo de Wilson é que os que abraçam a fé religiosa estejam ignorando seu papel de protetores do planeta para considerá-lo apenas uma fonte inanimada de matérias-primas e recursos, que os humanos podem tratar como quiserem.
Carta aos fiéis - Wilson estrutura seu longo apelo na forma de uma carta, endereçada a um pastor protestante do sul dos EUA e, portanto, conterrâneo cultural do próprio biólogo. Os argumentos para proteger a Criação divina não são, em si mesmos, originais: Wilson enfatiza a riqueza da biodiversidade como fonte dos medicamentos e alimentos do futuro, e como alicerce da sobrevivência humana: sem os demais seres vivos, serviços essenciais, como ar e água puros, fertilidade do solo e regularidade do clima desapareceriam, e nenhum sistema feito por mãos humanas poderia substituir o que a biodiversidade faz hoje de graça.
O que há de novo nesse apelo é a tocante humildade para cruzar barreiras, para estender a mão ao outro. Wilson tem a coragem de dizer que não se importa se seu interlocutor fundamentalista não acredita na evolução e acha que a Terra tem só 6.000 anos de idade. As visões diferentes sobre a natureza do Universo encolhem em importância quando o que se coloca na mesa são valores: a sacralidade do mundo vivo, a beleza da biosfera.
A mensagem, portanto, é clara: podemos concordar em discordar e, mesmo assim, agir lado a lado para evitar o pior para nós mesmos e para nosso planeta. Wilson pode não acreditar mais no Deus que criou os céus e a terra, mas qualquer pessoa religiosa é capaz de balançar a cabeça em aprovação ao ouvir sua defesa da Criação:
“Nenhuma palavra, nenhuma obra de arte, é capaz de capturar toda a profundidade e complexidade do mundo vivo. Se um milagre é um fenômeno que não conseguimos entender, então toda espécie é, de certa forma, um milagre.” Amém, irmão Wilson.
Fonte: Globo Online (citado no site AmbienteBrasil.com.br)

O plantio de vegetação nativa no Brasil deve saltar de 320 mil para 500 mil hectares por ano com as licitações para manejo sustentável permitidas pela Lei de Gestão de Florestas Públicas. A estimativa é do diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Tasso Azevedo, que participou do Seminário sobre Gestão de Florestas Públicas, realizado em Brasília.

O Brasil já plantou 16 milhões de árvores neste ano e garantiu uma vaga entre os maiores reflorestadores do mundo, de acordo com a Unep, a agência ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU).
As informações fazem parte da iniciativa da ONU de plantar 1 bilhão de árvores em 2007 - proposta pela ambientalista queniana Wangari Maathai, ganhadora do Nobel da Paz de 2004 - e já superada no ano.
A agência informou que mais de 1,5 bilhão de árvores foram plantadas.

Fonte: Estadão Online
A mudança climática pode acabar com a globalização antes de 2040, com os países se isolando para poupar seus escassos recursos e o surgimento de conflitos pelo deslocamento de refugiados de secas e da elevação dos mares, alertou relatório divulgado na segunda-feira (05) por especialistas norte-americanos em segurança nacional.
A escassez pode ditar os termos das relações internacionais, segundo Leon Fuerth, da Universidade George Washington, um dos autores do relatório.
“A cooperação global com base em um mundo rico em recursos pode dar lugar a um regime onde as matérias-primas vitais são escassas”, disse Fuerth num evento para divulgar o relatório “A Era das Consequências.”
“Algumas das consequências podem essencialmente envolver o fim da globalização tal qual a conhecemos, pois diferentes partes da Terra se contraem a fim de tentar conservar o que precisam para sobreviver”, disse Fuerth, que foi assessor de segurança nacional do ex-vice-presidente Al Gore.
Os países ricos, segundo ele, “atravessam um processo de 30 anos de chutar as pessoas para fora do bote salva-vidas”, enquanto as nações mais pobres sofrem as piores consequências ambientais, que podem ser “extremamente debilitantes em termos morais.”
“Isso também indica que o tipo de ódio que se cria entre diferentes grupos será acentuado conforme esses grupos tentem se deslocar para locais mais amenos do planeta”, disse Fuerth.

Fonte: JB Online
O ex-vice-presidente americano Al Gore, ganhador do Prêmio Príncipe de Astúrias de Cooperação Internacional, afirmou nesta quinta-feira (25) que o futuro da humanidade, ameaçado pela mudança climática, “é uma questão moral, e não um jogo político” e espera que os governos de todo o mundo entendam isso.
Em uma entrevista coletiva oferecida na cidade espanhola de Oviedo, Al Gore, que receberá nesta sexta-feira (26) o Prêmio Príncipe de Astúrias de Cooperação Internacional das mãos do príncipe Felipe de Borbón, agradeceu a concessão deste prêmio, que considera uma “enorme honra”.
Diante das críticas recebidas de alguns setores a sua campanha de conscientização contra a mudança climática, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos defendeu os conteúdos do documentário “Uma Verdade Inconveniente”, no qual alerta sobre esses riscos, e assegurou que se baseia em princípios científicos.
Sobre a possibilidade de se apresentar como candidato pelo Partido Democrata à Presidência de seu país, disse que não tem “nenhuma intenção” de fazer isso, mas não descartou que, no futuro, possa retomar sua atividade política.
